_ Troca os pneus de trás pra frente. E bota os novos atrás. O que ficar melhor dos que sobraram vira o estepe. Pode ser?
_ Pode, sim. O senhor é cliente. Esteve aqui, deixa eu ver...
_ Em fevereiro.
_ Isso.
_ Pode ser hj?
_ Vai demorar um pouco.
_ Tranquilo.
Em fevereiro cheguei numa situação péssima na Della Via Pneus, Avenida 24 de Outubro, Campos dos Goytacazes.
O pneu dianteiro, lado do motorista, havia partido em 10 pedaços na BR-101.
A rodovia que me parte em 10 pedaços toda quarta e sexta, quando vou e volto de Macaé.
Os retornos, no finalzinho do ano passado e neste 2026 são acompanhados de um "Boa Viagem" especial, pouco mais de 1,6m.
Espero receber a bênção e devolvo o carinho antes de virar a chave.
Ontem, ela começou a ter dificuldades em virar a chave do próprio carro.
Uma certa dor no pé direito.
Logo ele, o da aceleração.
O da velocidade, o do fogo na partida.
Esse jogo do asfalto que nos conduz, nos distancia e nos aproxima.
Era ele, o pé direito.
O peito e arredores.
Cogitou-se arnica, que todas as dores anestesia.
Chegou salompas e seu adesivo anestésico.
A noite foi a noite dos justos, velozes e anestesiados, visto que foi fresca na essência e amorteceu.
Hoje o dia amanheceu melhor, com o pé indolor no pedal da direita.
A natureza chorou com uma baleia morta à beira-mar.
Mas a vida requer trabalho, dores, amores e desamores.
A vida é até morte.
É livro.
Poesia e crônica.
Suor e travesseiro.
Experiência e travessura.
Pode ser até pneu trocado.
De trás pra frente.
É o que espero.
Agora.
Literalmente.
E vamos voar com o pé no chão.
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