Renan chega cedo, cedíssimo pra uma quarta-feira de Cinzas.
Às 7h10 ele atravessa a Beira-Valão segurando, e fazendo força, a bolsa azul no ombro esquerdo.
_ Chegamos juntos?
_ É.
_ Fez boa viagem?
_ Sim.
Dirigi um pouco até nossa casa.
_ Será que o Botafogo vai de Villalba e Kadir no ataque hoje?
_ Eu iria.
Estacionei.
Cochilo.
Peço almoço.
Cochilo.
Quarta de Cinzas sendo as cinzas de quarta.
_ Vamos buscar Tássio em Grussaí?
_ Sim.
Abasteço o carro. Calibro os pneus.
Pego a estrada.
_ Kadir e Villalba? Não acredito nessa escalação.
_ Eu iria.
Estaciono. Tássio entra depois de degustar um patê.
_ Vão querer lanchar?
Silêncio.
Paro no estacionamento do SuperBom do Turf-Clube.
_ Vou ficar no carro, diz Tássio.
Compramos o que era necessário: guloseimas, detergente, papel higiênico e guloseimas.
Tássio abriu mão do hambúrguer e subiu cravando uma colher de sopa no pote de Panna Cotta.
Enchi meu copo térmico de suco de uva com gelo.
Ganhei um sanduíche com dois ovos e carne.
Devorei.
Sala, eu e Renan.
Botafogo e Nacional. O River Plate de Potosí.
O River Plate boliviano.
O time deles, uniforme branco com faixa vermelha.
Um traje espalhafatoso.
O Botafogo de preto.
Sem Villalba. Sem Kadir.
Pressão, bola rápida. Altitude. Tudo contra.
Nacional, sem torcida, aguerrido.
Limitado, mas tentando.
Matheus Martins perde um gol feito.
Volta do segundo tempo... gol do Nacional.
De peixinho, logo, incoerente.
Montoro manda na trave.
O Nacional manda na rede. Nulo pelo VAR.
Fechou 1x0 Nacional.
Dormi mal.
Sonhei com a volta.
Peguei BR. Macaé, volto de férias.
Pus uma calça espalhafatosa.
Na camisa, Zeca Pagodinho.
Junto, a frase: "traz a saideira".
Meti o dedo de entrada. Cheguei.
Tinha um conluio carnal marcado.
Tinha.
Perdi.
O Botafogo, também.
Trabalhei o que foi possível.
Meti o dedo de saída. Saí.
Bebi uma, duas, três...
_ Traz a saideira, traz?