terça-feira, 24 de outubro de 2023

Performance

Eu não sei falar inglês,
Mas escuto sua voz!
Do beijo serei freguês,
Nem manso ou feroz!

Eu não sou nem burguês,
Mas consigo ler os nós!
Do seu perfume francês,
Projeto vítima ou algoz!

Eu não sei tocar teclado,
Mas há bandeiras azuis!
Não viver é um pecado,
Troquei os óculos, feliz!

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Nas redes urbanas

Será que nós vamos estar por aí?
Num dia qualquer, samba de ir e vir...
Lapa, Domingos Martins ou Recife?
Quem não quer nada, sem cacife...

Será que nós vamos virar livro?
Aquele, da biblioteca imaginária...
Ou é boteco, cerveja e aperitivo?
Tempo, poltrona e luminária...

Será que nós vamos subir escadas?
Degrau por degrau, terceiro andar...
Não olhar alarme nas madrugadas?
E não ver o sol nem a lua inundar...

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Alcântara de Meireles

Zé, como a gente fica?
A bola rola, não quica.
Zé, e o "Ururau Irado"?
Cumpre o dever calado.

Zé, agora é outro papo?
A cerveja é guardanapo.
Zé, e essa vida nobre?
Valeu, a gente descobre.

Zé, a barra pesou. Né?
A rotina, talvez, deu ré.
Zé, e sua falta como é?
Oração elegante da não fé. 

Boatos

Espalhe por aí que virei ar
Passo respirando e sem tropeçar
Pra eu chegar até você com fôlego
E ouvir que é preciso chamego

Espalhe por aí que virei sol
Passo esquentando, luz feito farol,
Pra eu chegar até você e te bronzear
E ouvir que é preciso clarear

Espalhe por aí que virei água
Passo escorrendo por cimento e tábua
Pra eu chegar até você e te refrescar
E ouvir que é preciso amar

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Transcendência

Não sei se até uma revista literária
Ia estampar toda essa nossa alegria
Talvez fosse um anúncio de rodapé
Teclando o samba da praça de ré

Impacta a impressão da sua imagem
Se eu não me vestisse de coragem
Pode ser prosa em cada sentimento
E uma brisa pra soprar o momento 

Vou publicar em PDF esse acalento
Olhar, respirar e acelerar, bem lento
Contemplar à vista silêncio e roupa
Registrar que toda a paixão é pouca

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

À prova

Esse descompasso geométrico
Pode ser matemático
Quando o plural de física
É sinônimo de química

Nem parece uma história
Tá mais pra qualquer teoria
De prática não muito nova
Da alquimia que não reprova

Num boteco palco da filosofia
O tapete da sociologia
Brinca com a exatidão da álgebra
E exala o charme da literatura

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Vinte e nove vezes

Ah, não é só momento!
É o registro do tempo,
Daquele que não volta.
Daquele, da reviravolta! 

Se estou sorrindo, eu sei;
Se é por mim, eu tentei!
Mas pode ser sol, à toa;
E pode ser chuva, garoa!

Vale é o nosso brinde;
Vale o que decide.
E eu decido viver...
Vida, gente, é acontecer.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Rico

Quero andar de ônibus com você,
E comer pipoca salgada na praça.
Vou calçar as sandálias do querer,
Degustar a vida com colher de sopa.

Sabe bombril na antena da TV?
E o calço de madeira na poltrona?
Então... é tipo um miojo com prazer.
É ser feliz a pé, dormindo  na lona.

Nem ligo se o consignado estourar,
Se a conta de água atrasar,
E se o aluguel me despejar.
Sou milionário no brilho do seu olhar!


domingo, 20 de agosto de 2023

Palco oficial

Eu cheguei, mas tive um medo
O frio na barriga, a insegurança
Era só diversão, e era bem cedo
Aí o medo virou uma esperança 

Vou jogar emoção num tapete
Se teve um beijo, me acalmou
Se teve calmaria, ah, me repete
Acho que alguém me chamou 

Eu só fui, fui e fui me beliscando
A vida é só uma grande emoção
Hiato pra ver a gente se amando
Uma vírgula rasgando o coração

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Tridimensional

Sou try. Veja: é com ípsilon mesmo.
Tássio, Renan e Yan, eu não à esmo.
Estamos aí na foto de Dia dos Pais;
E dizendo muito: a gente quer mais!

A gente quer muito de nossa poesia.
A gente quer é muito mais fotografia.
A gente quer, ô, muito mais desenho;
E a gente quer muito mais empenho!

Batalha por um novo, novo mundo.
E não é um singelo desejo absurdo.
Olhem pra nós e pra lupa de vocês;
A gente se vê, a conexão vira doces!

Uma saga aqui é uma luta logo ali.
Um sorriso seu, um só toque e eu vi.
Na história, ri pela nossa inocência;
A vida é vivida: sinônimo de paciência!

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Na chon

Ah, Aracy...li sobre você.
A biografia crava o que?
O título "Nunca fui santa"
É poesia pura e me encanta.

Fui à Armênia e até voltei,
Num "Sai de baixo " só meu.
Tua assinatura é o teatro;
Teu nome é rio, agora hiato.

Pra gente fica o riso fácil;
E a mulher robusta, a tátil.
Cortinas mudas te saúdam;
Gente, por favor,  aplaudam!

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Pequeno atalho para o nada

Diga-me sobre sua você:
Degusta um descartável prazer?
Ou vê tijolos em construção?
Talvez esteja estrofe em evolução. 

Mas diga, diga sobre viver:
É sol nascente ao anoitecer?
Ou um pequeno atalho para o nada?
Vejo chuveiro, deduzo estrada.

Agora conte sobre crescer:
É poltrona de espinhos, posso crer?
Uma garrafa que transborda absurdo?
Acho que é concreto e espelho mudo.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Eu sei

Mal sabe você de hoje!
Vou te contar, viu!
Não tem aquela laje?
É o concreto do Brasil.

Mal sabe você de ontem!
Tia Dilma gaguejou.
E antes que aprontem,
O nosso futuro calejou.

Mal sabe você, espelho:
Teve gente que votou.
E a onda de vermelho,
Quase no fim, goleou. 

terça-feira, 11 de julho de 2023

Palavras rio afora

Um sorriso que se foi
Um olhar me abandonou
Se te encontrar, é um oi
Se teu sorriso findou

Laiá, laiá, meu coração
Traidor sem noção
Uma vida com você e eu
Fiquei na sua boca, seu

Não disfarça e volta
O que é reviravolta
É só o meu lugar
Pra você me olhar

terça-feira, 4 de julho de 2023

Toque de mágica

A paz tem cor de lã;
Vem na brisa, de manhã.
O perfume da primavera;
Você e a lua, quem dera!

Se não tiver paz amanhã;
Da brisa não serei fã.
Sem seu perfume,  já era;
Você sem mim, espera!

A paz só retorna guardiã;
E a brisa percebe, pagã.
Aí seu perfume esmera;
Eu, você e a lua: quimera!

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Sombreiro

Amor é raquete
É tênis e basquete
Amortece
Anoitece

Amor aquece
Não esquece
Tempera
Reverbera

Amor é Azeite
É deleite
É piston
É on

Amor sopra e arde
Nunca é tarde
É extintor
É ardor

Amor é ferro de passar
É golear
É dor
É até amor

Amor é sax e serrote
É um norte
É boliche e rádio
É estádio 

Amor é relógio e violão
É pousar sim e não
É antiquário
É armário 

Amor é dedo ao infinito
É feio e bonito
É luz que reluz
É força, conduz

Amor é cerveja
É alguém que me veja
Me enxerga
E me cega

Amor clama
E chama
E cama
Amor me ama

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Sol entre os trilhos

Mar de gente sem água;
Movimento de formiga.
Homem do escuro, buá;
Um filme que me intriga. 

E por falar nos cinemas;
A gente não viu, nem vê.
Me vi ao avesso, apenas;
Sol nos trilhos, você crê?

Creio nas festas juninas;
E indo sempre pra casa.
Quadrilhas são meninas;
Têm alma, fé, chão e asa.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

A outra

Fui idealizadora do amor, amante do pecado;
Moradora única de um prédio cinza desbotado.
Fiel, sempre fiel, à minha límpida solidão;
A motorista desgovernada do trem sem vagão.

Tomei litros de água, ao invés de cachaça;
Tenho um viço moribundo dentro da carcaça.
Corri léguas, estradas inteiras, e não caí;
Hoje é o que ontem não foi e amanhã não vi.

Não deixei um testamento nobre documentado;
Nem folhas em branco de um papel maltratado.
Se sorri aos remédios, foi a sua impressão;
Dei tchau às agulhas tolas por pura imersão.

Hemisfério

Que vento sul sou eu?
Que alvoroça folhagem?
Que atravessa o breu?
Que parece miragem?

Que proteção é você?
Que tipo de agasalho?
Que coberta de prazer?
Que tapete no assoalho?

Que temperatura temos?
Que tem no inverno só?
Que no verão queimemos?
Que o termômetro dá nó?

terça-feira, 13 de junho de 2023

Nem vento, nem tempestade

É uma canção de verão, um anjo;
Um clarear que não vejo.
Se você for sapato velho,
Sou a viagem, um elo.

É ser bem simples como a roupa nova;
Ter nos bailes da vida uma escola.
Ah, Maria Maria, meu universo é você.
Chama pra começo, meio e fim, pode ser?

Só minha felicidade não dá, não dá...
Os corações não são iguais cá ou lá.
Uma alma brasileira volta pra mim...
No sonho, nos corações psicodélicos, enfim...

Amar é chuva de prata?
É de volta pro futuro numa lata?
É vício, é Lumiar, é sensual?
E é tímida, é um voo livre casual?

À flor da pele vive uma lenda,
Que tem a força do amor na legenda.
E vamos seguindo o trem azul,
Com a estrela linda demais ao sul.

A paz é dona de um coração pirata;
É um show de rock´n roll que arrebata.
É até whisky à go-go na vitrola.
Tô aqui, moça da cantiga. Desenrola!