terça-feira, 20 de agosto de 2013
Tom de quarta-feira
De repente
O sol vem tão quente...
É um fogo ardente
Em homenagem a gente.
Quando não vê, só sente
Vontade de ir em frente.
De repente
Minha mão insolente,
Teu beijo adolescente.
Nosso desejo envolvente,
Que não fala, e não mente;
Só banca de inteligente.
De repente
Você aparece contente,
Sorriso bem transparente.
E uma voz indecente
Apertando meu queixo com o dente
Mostrando a lua crescente.
De repente
É a paixão nascente,
Que nasce de um acidente.
A vida segue descrente.
O tempo passa ausente.
Vamos ver se fica assim, ascendente.
Quarta
Se te chamarem, responda não.
Se for viajar, esqueça o chão.
Se não quiser conversar, televisão.
E se tiver fome, copo na mão.
Se usar salto-alto, desça.
Se colecionar amigos, cresça.
Se andar por aí, enlouqueça.
E se olhar a agenda, desapareça.
Se procurar roupa, desarme.
Se abrir o guarda-chuva, queime.
Se te rangerem os dentes, ame.
E se deitar no sofá, me chame.
Perfil
Quando você não está
Vou secar saliva dos lábios
E guardar amor em colcha de retalhos.
Quando você não está
Vou desenhar seu rosto em guardanapo de papel;
Olhar pra cima, te procurar no céu.
Quando você não está
Toda reza é profana;
Nenhuma promessa me engana.
Quando você não está,
O relógio atrasa.
E o bar vira casa.
Quando você não está,
O copo é vazio
E o corpo é frio.
Quando você não está
Ouço o CD que me deu,
Sonho o sonho que é seu.
Quando você não está,
O colorido desbota.
A reta entorta.
Quando você não está
Pode até me enganar,
E fingir que vai chegar.
Olhos castanhos
Da vida aqui levo o trago do cigarro;
A poeira da rua, o gole amargo.
A ilusão do dia seguinte,
A mão calejada do pedinte.
Levo o troco e o soco,
O sonho e um rosto.
A rima sem sentido;
O real, concreto e absurdo.
Da vida aqui parto em retirada,
Esteira estendida e pavimentada.
Levo o sol, a chuva, a caneta,
O papel, a família e a letra.
Alguns amigos e poucas flores;
Me levo, me elevo, meus amores.
O Rosto
Tinha um traçado imaginário.
Sem formas, conteúdo ou modelo.
Era pura abstração e nervosismo.
Só voz distante.
Meses a fio, anos sem parar.
Íntimo feito travesseiro velho,
E misterioso como bolsa de mulher.
Passou por teclados a fio.
Empregos, chefes, cidades...
Situações, amigos e relações.
Uma demora quase perpétua.
Que deu real sensação de infinito.
Chegou a ser sondado, desenhado.
Definido por teorias do sonho.
Visualizado em pedaços.
Penetrante, mordaz.
Insinuante.
Mudo de desfalecimento.
Até aparecer discretamente, longínquo.
Em meio a um sorriso sem jeito, sem hora.
Mais pausa com intervalo menor.
Mais insistência com constância maior.
E veio como presente virgem.
Embalado plasticamente.
Surpreendeu.
Emudeceu.
Estremeceu as bases.
É diferente e igual;
Alegre e casual.
Talvez lânguido.
Ou sereno.
Perdido na multidão.
Procurando dedicatória,
Deliciando a memória.
O que não há
Ia te dizer que... mas sabe aquela hora
Em que as palavras não aparecem, tudo é falho?
Você me perguntou: não sentiu?
Talvez não saiba o que vai acontecer.
E mentiu.
Preferiu se isolar, fingir que não viu.
Mas é assim mesmo, foi como um jogo.
Como um jogo que não aquece.
E ainda quero te mostrar uma foto.
Uma lembrança qualquer.
Um dia, um mês, um traço.
Talvez o horizonte, talvez um abraço.
Eu não morreria por você agora.
Nem me mostraria estranho.
Nem queria um beijo, um afago.
Um sorriso, um ego.
Mas você está próxima.
E vou ver a próxima.
É a sina, é a química.
E ainda quero te mostrar minha foto.
Em que as palavras não aparecem, tudo é falho?
Você me perguntou: não sentiu?
Talvez não saiba o que vai acontecer.
E mentiu.
Preferiu se isolar, fingir que não viu.
Mas é assim mesmo, foi como um jogo.
Como um jogo que não aquece.
E ainda quero te mostrar uma foto.
Uma lembrança qualquer.
Um dia, um mês, um traço.
Talvez o horizonte, talvez um abraço.
Eu não morreria por você agora.
Nem me mostraria estranho.
Nem queria um beijo, um afago.
Um sorriso, um ego.
Mas você está próxima.
E vou ver a próxima.
É a sina, é a química.
E ainda quero te mostrar minha foto.
O beijo
Só quero beijo
De durar a eternidade.
Só quero beijo
Daquele que arde.
Quero um beijo,
Um bem molhado
E que deixa o corpo suado.
Quero muito esse beijo,
E quero com vontade,
Saudade e até maldade.
Pode ser só um beijo.
De impulso, de promessa,
Sem jeito e sem pressa.
Eu só quero um beijo.
Um beijo inteiro.
Um beijo festeiro.
Um, um beijo de ti;
O beijo sem fim.
De durar a eternidade.
Só quero beijo
Daquele que arde.
Quero um beijo,
Um bem molhado
E que deixa o corpo suado.
Quero muito esse beijo,
E quero com vontade,
Saudade e até maldade.
Pode ser só um beijo.
De impulso, de promessa,
Sem jeito e sem pressa.
Eu só quero um beijo.
Um beijo inteiro.
Um beijo festeiro.
Um, um beijo de ti;
O beijo sem fim.
Momento
Você me chama para o futebol.
É interessante,
Irreverente.
E a gente conversa e bebe,
Finge que não é do mundo dos tolos,
Das evidências.
E a gente segue a conversa,
E se pergunta o porquê.
E não quer saber
Se é eterno ou momentâneo,
Pré-fabricado ou instantâneo.
Mas segue a flauta, o lírico;
O poeta, o músico.
E as cordas vão e vem,
Na palma da mão de ninguém.
É simples, compreensível.
Fácil, acessível.
É a boca e o beijo,
A língua e o lábio,
A fala e o hábito.
É ver e não sentir,
Ver e não mentir.
Ser honesto,
Ser sincero.
Querer o resto
É tudo que quero.
É estar aqui e beber.
E a gente conversa e bebe,
Flutua e não sente.
Na carona
Não tem cigarro, acabou a festa.
E você está aqui ao lado.
Não tem sol, restou a fresta.
E você sorri, me deixa calado.
Quer comprar o que não é seu.
Sente frio, mexe os lábios.
Fala de planos, tem ideias como eu.
É amor, sei...
São delírios.
Qualquer rabisco vira escrita.
Qualquer palavra facilita.
E a gente quer mais.
Quer a loucura de frente.
Para achar que somos iguais,
E ninguém mente.
Tudo bem ter confiança.
Não faz mal escolher aliança.
Se a luz fica acesa,
A gente pensa;
Se apaga,
O corpo larga.
Depois vem a conversa.
Junto, a pressa.
Vem o toque,
Vem o leque.
Isso vai ter final feliz.
Manual
Encontrei sua instrução em algum lugar
Que você deixou e esqueceu de procurar.
Se a gente se encontra de repente,
A sua fissura é o meu deleite.
E as regras ficam sempre comigo,
Como segredo no ouvido do amigo.
Você olha, desconfiada, e sorri.
Sabe que futuro escolhi.
Coloquei uma colcha de retalhos,
E esparramei lenços e atalhos.
Com os panos, contei lágrimas;
Com os trilhos, pavimentei ímas.
Dessas partes únicas vieram músicas.
E desses sons, palavras úmidas.
Dessa umidade brotou calor.
E da sua boca, frescor.
Que de tanto espalhar,
Gritou, enveredou pra te ganhar.
Se é que venceu, foi amor.
E se coloriu, costurou.
Remendou o que faltava,
Deu voz a quem cantarolava.
Ecoou, vibrou, encantou.
Encenou, tocou, amou.
Longe e em mim
Como é que eu vou sair hoje à noite
Se não tenho dinheiro para beber?
Se a solidão me acompanha
E a saudade só me traz você?
O que era, de repente deixou de acontecer.
E sem esperar, comecei a encontrar
Motivos para tentar reviver, recomeçar.
Conheci uma paz e um abraço, laço forte
Com medo da chama da morte.
Num canto dentro de mim, coração:
Paradoxalmente cheio e vazio, meio perdido.
Meio achado encontro um rio,
É a emoção do conjunto de várias paixões.
Querendo sempre um pouco mais de carinho,
De calor que protege e de frio que aquece.
Paixão natural pele, pelo, olhos...
Agora as lágrimas escorrem pela janela;
Meu quarto solidário, de beleza singela.
Me mostra o meu limite do pequeno,
Universo de ar, dor, alegria, água, terra.
Será que eu queria estar tão vestido assim?
Prefiro pensar em você, me encantando a qualquer canção.
Apertando, me crucificando em seu corpo
E me guardando dos medos e segredos dessa vida.
Apesar da chuva, a vida continua seca, minha querida.
O pensamento flui suave, a limites extremos
De amor, dor, paixão e tesão. Vivemos.
*Em 1991, com Márcia Barcelos.
Letra A
Quando eu chegar vou olhar fixo seu olhar.
Despir sua alma.
E desvendar a magia do encanto.
Quando eu chegar e te tocar em instinto,
Vou apreciar cada arrepio e sussurro.
E, devagar, puxar a alça do destino.
Quando eu chegar te farei confissão,
Percorrerei seu rosto.
E desfilarei palavras roucas em desatino.
Quando eu chegar e em ti sonhar,
Deve ser o sonho do sonho do sonho.
E vamos alvoroçar nosso outro mundo.
Despir sua alma.
E desvendar a magia do encanto.
Quando eu chegar e te tocar em instinto,
Vou apreciar cada arrepio e sussurro.
E, devagar, puxar a alça do destino.
Quando eu chegar te farei confissão,
Percorrerei seu rosto.
E desfilarei palavras roucas em desatino.
Quando eu chegar e em ti sonhar,
Deve ser o sonho do sonho do sonho.
E vamos alvoroçar nosso outro mundo.
Lembranças
A caneta se esparrama,
É o papel pedinte.
Querendo a hora cerca, a chama,
É o papel adiante.
A voz que não ama,
É o papel delirante.
Você aparece.
Lembra e esquece
A razão que merece.
A voz ilumina,
É luz de menina.
Guarda-roupa que alucina.
É o charme, azucrina.
A voz não anima;
É a letra, a rima.
O tal amigo,
Hora de castigo.
Gosto amargo,
Castigo serrado.
Teto requintado,
Prazer divertido.
Inimizade
Tenho um amigo que toca bateria
E outro que queria.
Tinha uma vida verdadeira,
E vivia de certa besteira.
Tinha uma mulher e nada mais,
Chamava o garçon e pedia paz.
Tinha até um sonho antigo,
E vivia sonhando contigo.
Tinha, quem sabe, uma vontade.
E sentia gosto de maldade.
Tinha uma música na cabeça,
E um corpo que obedeça.
Tinha até você,
E queria só querer.
Tinha planos, filhas;
Canetas e cartilhas.
Tinha o sono,
Tinha o trono.
Tinha o que levar
Na hora de acordar.
Tinha peso sem levantar,
Sem espaço para caminhar.
Agora é só teto desabado,
É só pôquer jogado.
Imagens
Te olhando
Me vendo
Te beijando
Me afogando
Te acariciando
Me acalmando
Te falando
Me ouvindo
Te querendo
Me perdendo
Te amando
Me odiando
Imagem e semelhança
Sabe quando vem uma cerveja
E o hálito refresca?
Sabe quando a gente acha
Que todo mundo ri à beça?
Sabe o que é andar
E não ter pressa?
Sabe quando alguém vai ao mar
Joga a rede e pesca?
Sabe quando tem uma propaganda
E você não se estressa?
Sabe quando não se reclama
Quando uma situação te imprensa?
Sabe quando se chega em casa
E teu filho te abraça?
Sabe quando dá saudade
Tipo "nunca se esqueça"?
Sabe quando te amo
E você não sai da cabeça?
Sabe que os minutos são assim
E nada mais interessa?
E o hálito refresca?
Sabe quando a gente acha
Que todo mundo ri à beça?
Sabe o que é andar
E não ter pressa?
Sabe quando alguém vai ao mar
Joga a rede e pesca?
Sabe quando tem uma propaganda
E você não se estressa?
Sabe quando não se reclama
Quando uma situação te imprensa?
Sabe quando se chega em casa
E teu filho te abraça?
Sabe quando dá saudade
Tipo "nunca se esqueça"?
Sabe quando te amo
E você não sai da cabeça?
Sabe que os minutos são assim
E nada mais interessa?
História da semana
Diga que sim,
Que quer me ver.
Que quer só mostrar
Um sorriso novo.
Mesmo assim vou te ligar.
É só para te acompanhar,
Ou achar que você quer.
É tão simples, tão físico;
Até matemático.
Acho que vou te ligar.
Mas agora não sei
Se você está no banho
Ou pensando para onde vai.
Mas eu quero, é decisivo
Como seu abraço.
Loucura.
Tudo em vão?
Ou não... ou não.
Vai me dizer que hoje é um pouco tarde
Para me encontrar.
Mas quem sabe conversar?
Sem jogo, sem azar;
Sem fugir, sem achar;
Sem querer, sem beijar...
Vou ficando meio sonâmbulo.
Mudou o calendário,
Baixou o e-mail.
E não tem ninguém.
Você também não tem!
Estou pensando em você.
Em te ligar.
Em te esquecer.
E a gente enfraquece.
Simples e lógicos;
Discretos e cômicos.
Parece um pouco estranho.
Até amanhecer.
Se lembrou, me liga logo.
Prometo atender.
Estou bem aqui: na sua saudade.
Que quer me ver.
Que quer só mostrar
Um sorriso novo.
Mesmo assim vou te ligar.
É só para te acompanhar,
Ou achar que você quer.
É tão simples, tão físico;
Até matemático.
Acho que vou te ligar.
Mas agora não sei
Se você está no banho
Ou pensando para onde vai.
Mas eu quero, é decisivo
Como seu abraço.
Loucura.
Tudo em vão?
Ou não... ou não.
Vai me dizer que hoje é um pouco tarde
Para me encontrar.
Mas quem sabe conversar?
Sem jogo, sem azar;
Sem fugir, sem achar;
Sem querer, sem beijar...
Vou ficando meio sonâmbulo.
Mudou o calendário,
Baixou o e-mail.
E não tem ninguém.
Você também não tem!
Estou pensando em você.
Em te ligar.
Em te esquecer.
E a gente enfraquece.
Simples e lógicos;
Discretos e cômicos.
Parece um pouco estranho.
Até amanhecer.
Se lembrou, me liga logo.
Prometo atender.
Estou bem aqui: na sua saudade.
Filme sério
Me apaixonei: displicência noturna.
Vontade de te jogar na areia.
Jeito de não dizer nada, nunca.
Sorriso de quem não se chateia.
Você mostrou que trabalho
Só faz perder.
Agora não tem atalho,
Não tem pressa, não tem crescer.
Cruza as pernas, muda o disco.
Quebra o gelo, diz que não é nada disso.
Cada gole é um dia a menos
No calendário da razão.
Ainda há o espaço que cremos,
Ainda há o que conhecem de paixão.
É barba por fazer,
São olhos vermelhos.
É cigarro sem acender,
São espelhos.
Simplesmente são.
Vontade de te jogar na areia.
Jeito de não dizer nada, nunca.
Sorriso de quem não se chateia.
Você mostrou que trabalho
Só faz perder.
Agora não tem atalho,
Não tem pressa, não tem crescer.
Cruza as pernas, muda o disco.
Quebra o gelo, diz que não é nada disso.
Cada gole é um dia a menos
No calendário da razão.
Ainda há o espaço que cremos,
Ainda há o que conhecem de paixão.
É barba por fazer,
São olhos vermelhos.
É cigarro sem acender,
São espelhos.
Simplesmente são.
Ecos
Sinto a respiração ofegar
Vendo a noite passar.
Fica um personagem abstrato
Sem gosto, cheiro ou tato.
Viver, amar e morrer
É quase igual a beber,
Num bar sem ninguém,
Um conhaque feito refém.
Fumo o cigarro,
Bato o carro
Pra esquecer a insensatez
De quem deixa para outra vez.
Ícones de infância,
Excitante diferença,
De pensar em velhice
Pedindo clemência.
Mantenho a insistência
Exigindo paciência.
Sou eu mesmo, princípio destrutivo
Trajando mármore, nadando no abismo.
E você não vem
No vácuo que mantém.
É como ouvir um blues
A gente tem dez mandamentos,
É como ouvir um blues.
Você insiste em concretos,
É como ouvir um blues.
E conta os elementos,
É como ouvir um blues.
Não responde em sentimentos,
É como ouvir um blues.
De manhã são só lamentos,
É como ouvir um blues.
Dias nem tão cinzentos,
É como ouvir um blues.
E na carteira só duzentos,
É como ouvir um blues.
São frases sem acentos,
É como ouvir um blues.
São dias em tormentos,
É como ouvir um blues.
E restam os momentos,
É como ouvir um blues.
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