quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Cruz de Malta

Jean Carlos ajeitou a bola.

Não tomou muita distância. 

Perna esquerda, de longe... gol da Chapecoense.

Último lance, praticamente. 

De novo o Vasco sai na frente e não vence em casa.

Dormi.

Fábio Porchat liga pro Diniz.

No primeiro corredor do SuperBom da Alberto Torres, fim de manhã, movimento grande, desanca o técnico. 

"Diniz, eu preciso de chocolates e não tô na TPM".

"Diniz, me ouve: eu prefiro casar com a Rita Cadillac em Fernando de Noronha, em comunhão de bens, pro Vasco não ser rebaixado de novo".

"Diniz, eu tô tão louco que a Rita vai aparecer aqui junto com os Mamonas Assassinas pra roubar prateleiras".

"Não desliga, é verdade...  Diniz, já me passaram a mão na bunda, e não foi na bunda da Rita, e não comi ninguém..."

"Diniz...."

O filho da puta desligou. 

Acordei!

Jean Carlos abraça a Chapecoense inteira em todos os portais.

Cochilo depois do almoço azedado pelo Globo Esporte. 

Quem aparece, cabelo arredondado, chamando pra um rolê Macaé/Campos?

Ayrton Senna.

Tentei frear o sonho antes que Eduardo Paes decida por algum dáblio regional para seu vice (entre Welberth e Wladimir). 

Penso nas crianças, na tragédia de Itumbiara, e no conservadorismo bolsonarista. 

Nem lembro que é Carnaval. 

E o Vasco perde para o Bahia, gol de Luciano Juba. Não sei, do nome dele, o que é fantasia. 

Tudo é fantasia. 

Sonolento estou, de novo.

"Diniz, pelo amor...hj é sábado de Momo e o jogo é em São Januário, contra o Volta Redonda...".

"Se não classificar, Diniz, vou arrancar os cabelos do Felca. Fio por fio, de São Januário à CSN".

Pelo amor...

Acordei. 

A garrafinha de água ao lado da cama. 

Pego o celular. 

O Face me lembra: foto com pegadas na areia.

Vou no Instagram. 

Página principal: Fábio Porchat ligando pro Diniz.

Tullip

Acho que vi você hoje bem aqui
Palavra nua, num silêncio em si
Encontrei no vácuo do corredor
Mesa bem ao lado, gelo e calor

Nos óculos escuros, Chico e Tom
Na habilidade, até na falta de dom
No carro parado e na contramão
No tornozelo e perto do coração 

Vi você no WhatsApp, e no meme
Na prato e na bandeja mambembe
Te vi no vento, sol e na tempestade
É vida, colchão macio e intensidade